Simpósio Internacional ABMA

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A ABMA Nacional realizou, no período de 11 a 14 de outubro de 2017, no Espaço FIT, na cidade de São Paulo, o Simpósio Internacional de Medicina Antroposófica “A Prática Clínica Antroposófica nos Diferentes Contextos de Adoecimento e Recuperação da Saúde”, com o médico alemão Dr. Thomas Breitkreuz.

O evento contou com o importante apoio do NUMA – Núcleo de Medicina Antroposófica da UNIFESP, tendo sido a abertura do mesmo, no dia 11 de outubro, realizada no auditório Marcos Lindenberg, no Hospital São Paulo. A Dra. Mary Nakamura, coordenadora do NUMA, ministrou a aula magna “Antroposofia no autocuidado: prevenção de burnout” e, na sequência, o Dr. Breitkreuz proferiu a aula magna “Cuidado Paliativo Integrativo: abordagem e contribuições da Medicina Antroposófica”. Esteve presente, honrando muito a inauguração do evento, o  Professor Luiz Kulay, assessor dos Núcleos Associados ao qual pertence o NUMEPI – Núcleo de Medicina e Prática Integrativa da Pró Reitoria de Extensão da UNIFESP. Cerca de cento e trinta pessoas, de diferentes localidades do país, participaram do Simpósio, que foi amplamente elogiado por todos.

O Simpósio teve a Weleda do Brasil como patrocinadora principal, tendo contado também com a importante colaboração da Helixor do Brasil, Herbarium e Live Aloe.

da esquerda para a direita: Dr. Luiz Kulay, Dra. Mary Nakamura, Dr. Thomas Breitkreuz, Dra. Iracema Benevides, Dr. Jorge Hosomi
Da esquerda para a direita: Dr. Luiz Kulay, Dra. Mary Nakamura, Dr. Thomas Breitkreuz, Dra. Iracema Benevides, Dr. Jorge Hosomi

Trecho da aula magna do Dr. Thomas Breitkreuz na noite de abertura do Simpósio “A Prática Clínica Antroposófica nos Diferentes Contextos de Adoecimento e Recuperação da Saúde”

São Paulo, 11/09/2016

Boa noite a todos.

Foi um grande prazer aceitar o convite para vir ao Brasil. Essa é a primeira vez que venho aqui e também à América do Sul.

(…)

Eu sinto que alguns dos aspectos em desenvolvimento aqui no Brasil para integrar a medicina complementar na atenção primária em saúde e na universidade e para definir mais e mais o que pode ser feito para integrar a Medicina Antroposófica e os outros sistemas também, eu considero que o que está acontecendo aqui está bem avançado, algo no topo do desenvolvimento.

Então quando eu falar em alguns minutos sobre desenvolvimento na Alemanha e na Europa, não é porque quero mostrar que isso é mais importante do que o que está acontecendo no Brasil, mas porque eu gostaria de compartilhar. Eu penso que o que precisamos hoje em dia é de diálogos, considerando que vivemos em um mundo multipolar. Pode acontecer que hoje em dia, o governo da Tailândia queira construir um sistema de medicina integrativa e que talvez as melhores ideias venham não da vizinhança mas do Brasil ou do Canadá ou de qualquer outro lugar. Então, estamos vivendo em um mundo multipolar e nós temos que aprender uns com os outros. Então a minha contribuição é apenas uma contribuição.

(…)

A Medicina Antroposófica algumas vezes é definida como uma tradição, como um dos sistemas de saúde tradicionais, mas é um sistema de aprendizagem. Medicina Antroposófica não está pronta. Nós estamos desenvolvendo a Medicina Antroposófica. E nós estamos desenvolvendo a Medicina Antroposófica em diferentes partes do mundo e de acordo com as necessidades de saúde da população, dos pacientes, dos médicos e dos profissionais de saúde nas diferentes partes do mundo. Então eu gostaria de reafirmar que nada está pronto, que estamos desenvolvendo e que somos parte de um sistema de aprendizagem.

Por exemplo, nos países asiáticos, frequentemente ouvimos os colegas que praticam medicina aiurvedica e medicina convencional ou medicina tradicional chinesa dizerem que “o sistema da Medicina Antroposófica nos ajuda a traduzir nosso sistema para uma linguagem moderna de forma que nós possamos ser compreendidos pela medicina convencional”. Isso é algo que eu não tenho informação de que aconteça na Alemanha, mas nos países asiáticos um dos papéis que a Medicina Antroposófica pode ter é construir pontes entre tradições antigas e a medicina convencional, abordagens médicas baseadas na ciência. Então quando falamos de Medicina Antroposófica em minha opinião nós temos tradições, nós temos conceitos de tratamento, nós temos terapias mas nós somos um sistema de aprendizagem e nós temos que aprender que a forma como nós praticamos Medicina Antroposófica vai mudar de acordo com o país, com a cultura, com as necessidades dos pacientes, com as necessidades dos profissionais de saúde.

(…)

Uma nova função para Hospitais Antroposóficos pode ser essa: “nós não queremos ficar sozinhos, nós queremos compartilhar o que nós fazemos”. Nós queremos nos tornar pequenos centros especializados, cooperar com outros hospitais, compartilhar nossas experiência de forma que eles possam usá-la também. Esse é um tema maravilhoso para a Medicina Antroposófica: servir.

Algumas vezes nós falamos de Medicina Integrativa apenas combinando medicina convencional e um desses sistemas. O que nós temos que aprender hoje em dia é integração da medicina convencional e diferentes sistemas. Muitos jovens médicos Antroposóficos na Alemanha querem aprender sobre Acupuntura e muitos jovens Acupunturistas querem aprender sobre Medicina Antroposófica. Então Medicina Integrativa se torna um campo de aprendizado recíproco. O que isso significa para nós?

Quando você deseja tornar-se um médico antroposófico com treinamento pleno, e isso é o núcleo de identidade da Medicina Antroposófica, você tem que fazer um treinamento completo. Mas existem módulos terapêuticos de cuidados de enfermagem, pintura e cuidados paliativos que podem ser administrados. Nós podemos disseminar conceitos de tratamentos, por exemplo para oncologia integrativa, doenças infecciosas e doenças cardiovasculares; e podemos fazer treinamento de médicos para prescreverem medicamentos específicos (referiu-se a nomes de alguns OTC e ao viscum). Será interessante estar mais e mais no campo da aprendizagem – nós aprendemos mais e mais dos outros e eles aprendem de nós; ninguém perde sua identidade. A identidade torna-se mais forte quando nós cooperamos porquê os outros nos dizem o que você é, o que você pode e o que te faz único. Nós sempre pensamos que somos únicos mas a identidade é dada a você porque os outros dizem: “você é tão importante para mim porquê você sabe como tratar isso e aquilo. E isso é muito bom.

Então, eu acredito fortemente que quanto mais pudermos cooperar, mais forte será a identidade dos diferentes sistemas e não será uma mistura de um pouco de cada coisa.

(…)

Thomas Breitkreuz é clínico geral com especialização em oncologia, gastroenterologia e doenças cardiovasculares.  Ele trabalhou no Hospital Comunitário de Herdecke por nove anos e é professor associado do Departamento de Medicina Integrativa e Complementar da Universidade de Witten / Herdecke desde 2010.  Atualmente dirige o Hospital Fielderklinik, em Stuttgart, sendo também o presidente da Federação das Associações dos Médicos Antroposóficos (IVAA) e membro do Conselho Executivo da Associação dos Médicos para a Medicina Antroposófica na Alemanha (GAÄD).

 

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