A formação em Medicina Antroposófica desperta a sensibilidade artística e a criatividade

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Leia a matéria publicada no Diário do Nordeste sobre a perspectiva de início de um Curso Básico de Antroposofia para profissionais da saúde, coordenado pelo Dr. Paulo Tavares, destacando aspectos históricos dessa medicina integrativa e também a forma como a metodologia contribui para despertar a sensibilidade artística e a criatividade dos alunos.

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Como tratar de forma mais humanizada

Entenda como a formação em medicina antroposófica ajuda a desenvolver a sensibilidade do médico

00:00 · 26.11.2016 por Flamínio Araripe – Especial para o vida

Fortaleza dará o primeiro passo para a realização de um curso de medicina antroposófica, uma formação complementar para médicos já ofertada em Recife, São Paulo e Belo Horizonte. O I Curso de Antroposofia de Fortaleza começa em março de 2017 na escola Waldorf Micael, com 10 módulos e duração de nove meses, aberto a médicos, outros profissionais de saúde e interessados no autoconhecimento.

O curso é pré-requisito para a formação de um ano (exclusiva para médicos) que acontecerá em Fortaleza, além de mais um ano de supervisão prática feita por médico antroposófico que treinará o colega.

Nova abordagem

O conteúdo do curso foi apresentado pelo presidente da Associação Brasileira de Antroposofia (Brasília), Paulo Tavares, que destacou a intenção de implantar em Fortaleza o segundo polo do Nordeste de um serviço antroposófico.

Trata-se de uma proposta multidisciplinar que inclui médico, terapeuta artístico, canto terapêutico, um biógrafo que trabalha a compreensão da vida por meio de blocos de anos, uma pessoa que faz aplicações externas (massagens), a pedagogia terapêutica e euritmia (dança com funções terapêuticas). As abordagens fazem parte da antroposofia, a ciência espiritual de Rudolf Steiner, um pensador que viveu na Europa até 1925 (nascido em 1861 onde hoje é a Croácia). Existem hoje no Brasil 450 médicos antroposóficos.

Os Conselhos Nacionais de Farmácia, de Odontologia e Enfermagem já reconhecem o farmacêutico, odontólogo e o enfermeiro antroposóficos. A especialização com esta abordagem, aplicada a cada uma destas profissões, é dada em cursos específicos de cada área, já ofertados no Brasil, mas fora da região Nordeste. A Anvisa reconhece o medicamento antroposófico, produzido de modo diferenciado com base nesta ciência.

Ética e moral

A medicina antroposófica foi criada em 1920 pela médica Ita Wegman, com a qual Steiner elaborou os princípios deste pensamento médico.

A medicina antroposófica não visa substituir ou confrontar os valores científicos da medicina acadêmica. Paulo Tavares pontua que um bom médico antroposófico tem de ser um bom clínico e conhecer muito de medicina para poder entender o ser humano da maneira mais ampla. Essa formação busca resgatar conhecimentos que já existiram na ciência médica, mas que foram perdidos devido ao enrijecimento do pensar humano.

“A tecnologia humana aumentou muito, mas a questão ética e moral não teve o mesmo avanço”. O médico cita Rudolf Steiner: “se a gente for caminhar com o avanço tecnológico da medicina, sem um avanço moral do médico, pode criar muitas aberrações”. Como exemplo do modelo criticado, Paulo Tavares aponta o médico que olha mais os exames do que o cliente.

A antroposofia propõe a humanização da medicina. Para isso, Steiner diz que só há um jeito: humanizar o médico para que agregue à formação acadêmica conceitos da medicina mais antiga, com uma consciência aberta e outro nível de percepção.

Fique por dentro 

Arte pelo pensar imagético

Junto à formação terapêutica, o médico também recebe formação artística. O ensino da arte não visa formar artista, mas apurar no médico a sensibilidade. “A medicina antroposófica exige que o médico agregue ao pensar racional o pensar imagético, o pensamento por imagem”, explica Paulo Tavares.

A arte é vinculada ao tema do módulo dado no curso e tem uma função de trazer, em forma de imagem, o conteúdo dado racionalmente, numa atividade prática para sedimentar o aprendizado. “O entendimento real da antroposofia se dá num processo interno que vai acontecer em cada aluno, quase de transformação pessoal”, observa o médico.

O aprendizado não ocorre por meio do intelecto, mas pela compreensão de como funciona a fisiologia (por meio da antroposofia), para dar o diagnóstico e ter uma imagem da doença. Os interessados no curso se reúnem todo primeiro sábado do mês na escola Micael (antroposofiafortaleza@gmail.Com), das 8 às 12h.

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