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Arte: Antônio Poteiro

Natal 2016

Era uma vez um Ser Divino de Bondade que vivia em toda parte, no sol, na lua, nas montanhas, nos pássaros, no mar, nos rios, na terra, nas plantas, em tudo, desde o início dos tempos. Ele também vivia em todos os corações humanos. E aí ele resolveu assumir a forma também de um ser humano para se mostrar melhor e assim ajudar ao universo. E este ser humano no qual o Deus se manifestaria seria um jovem da Galiléia, que o Deus escolheu com esmero. E este jovem que seria a forma externa do Deus seria chamado Jesus, seu nome em grego. E assim, antes de nascer, Jesus escolheu um pai chamado José, e uma mãe, chamada Maria. E então nasceu, em Belém, na Galiléia. Pobrezinhos que eram, não tinham onde se abrigar durante uma viagem. E acabou que o menino Jesus nasceu durante esta viagem, numa humilde manjedoura, o lugar onde os animais comem, numa gruta fria.

Vieram então pastores e seus animais, representando todos os seres sensientes, pois um ser sublime os avisara do nascimento. Vieram também sábios magos, iniciados na sabedoria secreta. Todos foram avisados de que o menino Jesus seria o escolhido para ser o portador do Deus que estava em tudo e também em todos os corações dos seres.

Mas o rei, que servia ao Senhor da Morte, resolveu impedir todo o projeto do Deus, e mandou matar os meninos que tivessem nascido naquela ocasião. Avisados pelo Deus, José, Maria e o menino tiveram que fugir para as terras do Egito e se abrigar perto da cidade das pirâmides.

Passados alguns anos, voltaram à Galiléia. E o menino cresceu. Era um verdadeiro anjo. O Deus estava sempre com ele, lado a lado, como se fossem dois meninos gêmeos. Aos doze anos de repente, Jesus se mostrou a própria sabedoria em forma de criança. E até discutiu com os doutores das escrituras com admirável desenvoltura. O menino Jesus se tornou um rapaz Jesus. Ajudava o pai no trabalho artesanal que os sustentava. Ainda jovem, ingressou na ordem dos essênios como convidado. Os essênios eram pessoas, homens e mulheres, dedicados à vida espiritual comunitária. Não comiam carne animal, não bebiam álcool, viviam sempre juntos, felizes, e veneravam o Deus que o rapaz manifestaria. Eles perceberam que o jovem rapaz seria a perfeita manifestação do Deus. As mulheres sábias essênias que orientavam Jesus aconselharam ao jovem que fosse conhecer outras confrarias do Oriente. Ele então seguiu pelas estradas, em caravanas, e percorreu longas vias, subiu montanhas, atravessou desertos, conheceu templos e culturas diferentes, viu deuses e demônios, magos, dervixes, santos e ascetas, iniciados e monges. Aprendeu e ensinou. E retornou aos essênios, e aos pais, mais rico em sabedoria do que antes.

E então o rapaz foi ter com um outro essênio que vivia no deserto. Seu nome era Yohanan, ou João, um sadhu que andava quase nu e vivia em meditação e passava os que o procuravam pela prova da água. Quando Yohanan viu Jesus (cujo nome aramaico era Yehoshua) caiu de joelhos e disse: “Yehoshua, não sou digno de atar as tuas sandálias”.  Ele reconheceu a sublimidade de Jesus e da missão dele. Mas Jesus insistiu para que ele realizasse a prova da água, onde o seu Ego “morreria” para que o Deus nele e em todo o universo nascesse, o oceano seria recolhido dentro de uma ânfora. E assim foi feito, conforme as profecias dos mestres perfeitos. E então, o Deus, finalmente, nasceu na forma de um ser humano de forma plena. A Deusa, companheira do Deus nos céus plerômicos, se manifestou dizendo: “Eis o filho da gravidez que eu vinha engendrando!”.

Jesus foi modificado pela experiência, tornou-se um homem divino ou um Deus humano, e primeiro explorou, como tal, as luzes e sombras da condição humana. A seguir, iluminou todos os caminhos por onde passou. Suavizou toda dor. Mostrou aos humanos a sua força divina e a sua sabedoria, embora a maioria nem o tenha notado – até hoje. Reuniu discípulos e lhes ensinou os nomes secretos. Aceitou dentre eles sua mãe, seus irmãos e irmãs, pescadores e publicanos, e também Madalena, que fielmente manifestou a Deusa, sua companheira celestial. E assim foi por três anos. Até que os homens bestiais, que serviam ao Senhor da Morte, vieram e o levaram…acreditando que o matando fisicamente se livrariam dele, apenas o libertaram da forma escolhida que o limitava. Ressuscitando, ou seja, transmutando a matéria morta em substância cósmica vivente, ele realizou sua missão: Transformar morte em vida, ressecamento em frescor, dor em alegria, fealdade em beleza, ignorância em sabedoria, limitação humana em libertação espiritual. Ele mostrou, através de um, o que futuramente seriam todos. Ele contaminou com o amor o mundo de ódio. Atualmente, Jesus redivivo está trabalhando na vinha, incansavelmente, e o Deus nele saúde o Deus em ti e o mesmo Deus em todos os seres.
Que o menino Deus nasce e cresça plenamente em cada coração.

Feliz Natal!

Texto publicado no grupo GEPAK em 21.12.2016

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Dr. Wesley Aragão de Morais

Médico afiliado à ABMA, Artista Plástico, Mestre em Ciências da religião e Doutor em Antropologia.

Reside em Juiz de Fora (MG)

Autor da obra “Medicina Antroposófica: um paradigma para o século XXI” (ABMA, 2015), entre outras.